A cor de uma personalidade.

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terça-feira, 16 de março de 2010

Ratoeira armada.


Paulo Sérgio Cavalcante

Coord. Municipal do MNU

Graduando Ciências Sociais - UFC



Um dia um casal de fazendeiros foi ao mercado fazer umas compras. Retornando à casa. Abriu um dos pacotes. Um rato viu através de um buraco na parede da casa que era uma ratoeira. Então o próprio rato começou a avisar à todos os animais do quintal daquela fazenda que tomassem cuidado para não cair na ratoeira. Os animais, fez pouco, responderam um de cada vez:

  • Jamais seria atingida por ela – disse a galinha;

  • Não posso fazer nada a não ser rezar pelos ratos da fazenda – argumentou o porco;

  • Não vou sofrer nada com esta ratoeira é muito pequena – resmungou a vaca.

A esposa do fazendeiro armou a ratoeira e de madrugada todos de casa ouviram o disparo da armadilha. A dona da fazenda se levantou para retirar o rato morto, mas, como estava escuro foi picada por uma cobra que estava com o rabo preso na ratoeira.

A mulher foi levada de imediato a emergência, o médico receitou vários medicamentos e recomendou que a mesma se alimentasse com canja enquanto se recuperava. A galinha logo foi abatida para as refeições da fazendeira.

Como os familiares e muitas outras pessoas ligadas a família foram visitar, houve a necessidade de matar o porco para alimentar os visitantes.

A senhora não resistiu aos venenos da serpente, veio a falecer. O velório foram muitas pessoas, pois, toda a vizinhança , amigos, familiares e conhecidos foram velar, então lá se foi a vaca para a panela, afim de alimentar a todos que ali estiveram presentes.



Parece ser coincidência, todo final de gestão e ano de eleição de segundo mandato os cofres se abrem e a lembrança dos seguimentos sociais viram pauta de governo e construção de coordenações, secretarias, etc., será que sou eu que tenho uma percepção do senário político, ou será que sou muito negativista em relação a nossa política local.

Entidades se organizam querem ser os donos da situação, outros acham que terão maior abertura no cenário político, outros pensam não poder perder essa “boquinha”, esse meio de vida. Não levando em conta as questões que estão em pauta no movimento negro, para o povo Negro. Os braços estendidos com as cuias erguidas esperando o tilintar das moedas em nome do afro, amém.

Enquanto políticas públicas de igualdade racial não saírem do falar, do dizer não adianta esses partidos no poder, criarem órgãos de aparência, de faz de conta. Ratoeira armada, não se sabe o que caça!

Embora, seja uma grande falta de etiqueta, e muitos não aprovam, eu adoraria estar equivocado e que me façam morder a língua, mas para isso o caminho está longe CENTAC, S.O.S Racismo, implementação da Lei 10.639/03, recorte em todas as politicas públicas, cotas nos sistemas municipais e estaduais, tanto no sentido de capacitação (Impahr, UECE, cursinho pré-vestibular) quanto no mercado de trabalho, formação de professores na história da África e dos Afro-cearenses, feriado municipal e estadual de 20 de Novembro, mecanismo de combate ao racismo, etc.

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