sábado, 19 de junho de 2010
A historia se repete.
É assim que dá pra entender a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial. A proposta final é de Demóstenes Torres (DEM-GO). Aquele que num debate sobre as cotas, em março passado, disse que o estupro de escravas negras por seus donos aconteceu “de forma muito mais consensual”.
A proposta de Torres acabou com as cotas na educação, serviço público, empresas e partidos políticos. Programas de saúde pública voltados para a população negra também ficaram de fora.
Pior que isso, foi ver como reagiram alguns dos defensores históricos da aprovação do Estatuto. É o caso do senador Paulo Paim (PT-RS). Embora não seja ideal, é o possível, disse ele.
O também petista Edson Santos, ex-ministro da Igualdade Racial, disse que a proposta reflete "o melhor entendimento possível em torno do assunto". O “melhor entendimento possível” só pode ser aquele baseado na democracia racial.
Democracia racial é a ideologia defendida pelos brancos da elite brasileira. Sua idéia básica é a de que os negros são desfavorecidos porque são pobres, não por causa da cor de sua pele.
Ou seja, os poderosos até admitem que existe injustiça econômica, jamais injustiça racial. Só pode ser porque a luta contra o racismo teria um efeito explosivo num país com mais da metade da população formada por negros. Praticamente todos vivendo em condições piores que os brancos.
Demóstenes Torres é do partido dos antigos coronéis escravocratas. Conquistou mais uma vitória para manter forte o racismo brasileiro.
Sérgio Domingues
http://pilulas-diarias.blogspot.com
terça-feira, 23 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
Lei nº 5.250, de 9 de fevereiro de 1967, Art. 12. Aqueles que, através dos meios de informação e divulgação, praticarem abusos no exercício da liberdade de manifestação do pensamento e informação ficarão sujeitos às penas desta lei e responderão pelos prejuízos que causarem.
Palavra lançada é palavra sem volta, como então retratar o que fora reavivado no imaginário popular, no senso comum já existente? Como fazer as pessoas perceber que o que fora dito fora equivocado num período tão curto de tempo? Seria uma nota curta de retratação uma borracha para apagar o que foi divulgado, o que foi lido, o que foi escutado? Como fica os marginalizados, excluídos, os sem posses e sem informação dos direitos referentes à defesa, à resposta?
Muitas vezes não sabemos o poder da palavra, a menos que nos atinjam, que toque em nossa pele, em nossa alma. Embora nem toda a generalização seja burra, têm se que distinguir quando é e quando não, e nisso pecamos. A religião é uma identidade étnica/racial e um direito constitucional, de modo que, ao tratar do assunto deve-se ter sensibilidade, distinção de grupo e de indivíduo, do coletivo e do pessoal. Assim como há liberdade de imprensa, expressão, há liberdade religiosa, culto, e cada uma, liberdade, na sua e ambas se respeitando mutuamente.
Por muito menos que isso já houve grandes protestos mundo afora, sarjas já foram motivo de grande locomoção popular em outros países. Não descartamos a possibilidade de pessoas que se professam de quaisquer religião de matriz africana estarem envolvidos com alguns dos crimes relacionado nas matérias vinculadas nos dias 7 e 8 de dezembro, no Diário do Nordeste, mas não admitimos que haja uma generalização, não admitimos que atribua esses crimes a rituais umbandistas, ou afro religioso, é simplesmente inaceitável, é irresponsável. E é fatal para um trabalho que vem sendo construído há séculos de tolerância religiosa, de igualdade racial, de igualdade na diversidade.
Essas distorções são realizadas por falta de politicas públicas, de investimento na área da educação. Ainda não se tem efetivada a Lei10639/03, que torna obrigatória o ensino da história da África e dos afro descendentes, continuamos sendo lembrados nas “datas comemorativas”. Na faculdade não se tem formação inicial obrigatória, apenas, na área, como optativa e fora dela pouco se tem feito para capacitar os professores.
No Ceará não há uma politica pública na direção da promoção da igualdade racial, não se tem uma ação de politica afirmativa para os povos indígenas e negro. Mesmo Fortaleza com uma Coordenação de Promoção de Politicas de Igualdade Racial (COPPIR) pouco se tem feito, é uma coordenação contra uma gestão e acaba não andando.
Por tanto, é preciso pensar quatro vezes antes de vincular qualquer que seja a matéria sobre o assunto, e procurar ouvir as pessoas que conhecem a área, que vivencia no seu cotidiano o labor de uma religião historicamente marginalizada, de um povo que luta pelo seu reconhecimento e principalmente pelo respeito próprio e coletivo. É honroso por parte de um veiculo de comunicação abrir um espaço como esse sem atentar para os meios judiciais, por esse fato eu louvo ao Diário do Nordeste.
JOGO DE APARENCIA!

Há anos que a pauta negros, negras é marketing eleitoreiro principalmente entre as ditas esquerdas que chegam ao poder e não lembram na prática, só na demagogia. E não é de se estranhar, pois as condições sociais do povo negro é lastimoso e precário, no Brasil, principalmente, com uma alarmante agravo o do falso negrume. Que alias em Fortaleza, a prefeitura municipal utiliza as agremiações de maracatu para reforçar a ideia de que no Ceará não tem negros, ou negras, em seu edital de carnaval. Os negros são obrigados a parecer negro atrás do falso negrume. A cada ano aumenta o critério de tempo para não dá as agremiações mais recente, o privilégio de subir de categoria impedindo assim o acesso.
Surpreende aos carnavalesco que contam com aquela premiação em favor de uns poucos, que têm medo de concorrer com agremiações com menas tradições no desfile de municipal de carnaval. Artigos de escolinha é colocado no intuito de melindrar os blocos a ponto de exigir dos carnavalescos bom comportamento, pois estão indo à igreja se confessar.
A cultura é viva! É dinâmica! O carnaval é folia, é perversão!
Até quando seremos, os maracatuqueiros, obrigados a mascara de falso negrume? Que a PMF se esconde por trás da mascara da promoção da igualdade racial esta evidente, mas daí forçar a maquiar-se é outra ideia que precisa ser debatida e combatida. A PMF deveria estar PROMOVENDO POLITICAS DA IGUALDADE RACIAL e não criando artifícios para o movimento contrários, dar um grito de liberdade, uma verdadeira abolição das correntes da escravidão.
Ouvi outro dia na radio universitária, embora só tenho escutado o final, o questionamento sobre uma manifestação pública minha contraria a displicência do jornalista de um jornal local, que ousou irresponsavelmente de vincular duas matérias acusando as religiões de matriz africana de praticar ritual macabros, nessa o locutor forçando uma defesa e desqualificar minha discussão referente ao racismo e a intolerância religiosa daquele jornalista e do grupo que ele representa, o locutor se colocou na defesa do governo municipal alegando que a prefeitura e o Estado tem um canal de dialogo aberto para com o movimento negro o que foi confirmado pelo grupo de ativistas que lá estavam, eu perguntaria se é dialogo que nós do povo negro reivindicamos, pergunto ainda, qual o dialogo do MN e o governo do Estado do Ceará? Qual é a politica pública de promoção de igualdade racial implantada por uma dessas duas gestões que estão no poder? Uma coordenação que tem se comportado mais como uma produtora de eventos, sem a menor condição de implantar as politicas reivindicadas pelo povo negro? Será que essa é a ideia de PROMOÇÃO DE IGUALDADE RACIAL que eles pretendem para nós negros?
Quantas escolas tem efetivamente a história da África e dos Afrodescendentes nos currículos escolares, quantas maternidades têm o exame do pezinho com a capacidade de diagnosticar anemia falciforme? A politica de cotas raciais defendida pela prefeitura de FORTALEZA, por exemplo, porque no Imparh apesar de ter cotas sociais não tem as raciais? Porque apesar de aprovado há anos, o feriado de 20 de novembro no município até então não é feriado, tem uma explicação lógica, não é dia de santo católico, nem de tiradentes.
Sou negro, sou guerreiro, sou maracatuqueiro.
Eu sou estrela, sou primeiro, também sou o derradeiro.
Mas, não sou vendido, não tenho preço,
Nordestino, eu sou por inteiro.
Ratoeira armada.
Paulo Sérgio Cavalcante
Coord. Municipal do MNU
Graduando Ciências Sociais - UFC
Um dia um casal de fazendeiros foi ao mercado fazer umas compras. Retornando à casa. Abriu um dos pacotes. Um rato viu através de um buraco na parede da casa que era uma ratoeira. Então o próprio rato começou a avisar à todos os animais do quintal daquela fazenda que tomassem cuidado para não cair na ratoeira. Os animais, fez pouco, responderam um de cada vez:
Jamais seria atingida por ela – disse a galinha;
Não posso fazer nada a não ser rezar pelos ratos da fazenda – argumentou o porco;
Não vou sofrer nada com esta ratoeira é muito pequena – resmungou a vaca.
A esposa do fazendeiro armou a ratoeira e de madrugada todos de casa ouviram o disparo da armadilha. A dona da fazenda se levantou para retirar o rato morto, mas, como estava escuro foi picada por uma cobra que estava com o rabo preso na ratoeira.
A mulher foi levada de imediato a emergência, o médico receitou vários medicamentos e recomendou que a mesma se alimentasse com canja enquanto se recuperava. A galinha logo foi abatida para as refeições da fazendeira.
Como os familiares e muitas outras pessoas ligadas a família foram visitar, houve a necessidade de matar o porco para alimentar os visitantes.
A senhora não resistiu aos venenos da serpente, veio a falecer. O velório foram muitas pessoas, pois, toda a vizinhança , amigos, familiares e conhecidos foram velar, então lá se foi a vaca para a panela, afim de alimentar a todos que ali estiveram presentes.
Parece ser coincidência, todo final de gestão e ano de eleição de segundo mandato os cofres se abrem e a lembrança dos seguimentos sociais viram pauta de governo e construção de coordenações, secretarias, etc., será que sou eu que tenho uma percepção do senário político, ou será que sou muito negativista em relação a nossa política local.
Entidades se organizam querem ser os donos da situação, outros acham que terão maior abertura no cenário político, outros pensam não poder perder essa “boquinha”, esse meio de vida. Não levando em conta as questões que estão em pauta no movimento negro, para o povo Negro. Os braços estendidos com as cuias erguidas esperando o tilintar das moedas em nome do afro, amém.
Enquanto políticas públicas de igualdade racial não saírem do falar, do dizer não adianta esses partidos no poder, criarem órgãos de aparência, de faz de conta. Ratoeira armada, não se sabe o que caça!
Embora, seja uma grande falta de etiqueta, e muitos não aprovam, eu adoraria estar equivocado e que me façam morder a língua, mas para isso o caminho está longe CENTAC, S.O.S Racismo, implementação da Lei 10.639/03, recorte em todas as politicas públicas, cotas nos sistemas municipais e estaduais, tanto no sentido de capacitação (Impahr, UECE, cursinho pré-vestibular) quanto no mercado de trabalho, formação de professores na história da África e dos Afro-cearenses, feriado municipal e estadual de 20 de Novembro, mecanismo de combate ao racismo, etc.
Paulo Sergio Cavalcante

